Notícias
Pesquisa da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP avaliou a relação entre as alterações na linguagem oral na infância e uma posterior dificuldade no aprendizado da leitura e escrita em crianças portadoras do vírus HIV. O trabalho comprovou, por meio de análise estatística, que o Transtorno Fonológico pode levar futuramente a dificuldades no aprendizado da leitura e escrita, independente da gravidade do quadro clínico da Aids. De acordo com o estudo, o atendimento fonoaudiológico, simultâneo a um trabalho interdisciplinar, traz resultados positivos no desenvolvimento das crianças soropositivas.
O Transtorno Fonológico é a dificuldade quanto a aquisição de sons de fala, não superada dentro do caráter evolutivo, que pode comprometer a aprendizagem da leitura e escrita. A pesquisa avaliou 26 crianças soropositivas, que receberam atendimento multiprofissional durante cinco anos, na Unidade Especial de Tratamento em Doenças Infecciosas (UETDI), do Hospital das Clínicas da FMRP. Em 2005, essas crianças apresentaram Transtorno Fonológico. Já em 2010, elas não apresentavam mais essas alterações de linguagem, sendo que nesse mesmo período o quadro clínico e imunovirológico se mantiveram estáveis. “Mas o comprometimento do aprendizado já estava estabelecido e isso pode ser comprovado pelos resultados das avaliações a que essas crianças se submeteram”, explica a autora do estudo, a fonoaudióloga Raphaela Barroso Guedes Granzotti.
O objetivo, diz ela, foi verificar o desenvolvimento da linguagem oral e a influência das alterações no desenvolvimento da leitura e escrita e nas habilidades da consciência fonológica – habilidade metalingüística, ou seja, a grosso modo a capacidade do indivíduo de identificar os sons que compõem uma palavra – dessas crianças, com idade entre 7 e 11 anos, sendo 46,2% do sexo masculino e 53,8% do sexo feminino. Todas faziam uso de antirretrovirais há mais de cinco anos e com sinais e sintomas graves da doença. Segundo Raphaela, pela idade e série escolar das crianças, era esperado que todas estivessem alfabetizadas, entretanto, 88,5% apresentaram desempenho inadequado na prova escrita e 84,6% na prova de leitura. Já na avaliação de consciência fonológica, 42% das crianças apresentaram respostas inadequadas, mesmo com os resultados positivos quanto à superação do Transtorno Fonológico.
A pesquisadora afirma que já está descrito na literatura que crianças infectadas pelo HIV apresentam diversos fatores que concorrem e contribuem para alterações no desenvolvimento, como os neurológicos, assim como os ambientais, com hospitalizações frequentes, privação de estímulos, estresse familiar, debilidade materna, por ela ser portadora do HIV, a orfandade precoce pela perda dos pais decorrentes da Aids, a impossibilidade de amamentação e condição sócio econômica precária.
Avaliações
As crianças foram submetidas a três tipos de avaliação, todas capazes de analisar apenas crianças falantes do português brasileiro, portanto, com parâmetros de normalidade validados para a população. Para o sistema fonológico da linguagem oral foi utilizado o ABFW (Teste de Linguagem Infantil), que avalia a presença ou não de Transtorno Fonológico. Já para a avaliação da leitura e da escrita, a pesquisadora utilizou o TDE ( Teste de Desempenho Escolar), que verifica se o nível de leitura e escrita está adequado, quando comparado ao esperado para a idade e série escolar que a criança frequenta. E, para avaliação da consciência fonológica utilizou o CONFIAS (Consciência Fonológica: Instrumento de avaliação seqüencial), que verifica as habilidades de consciência fonológica tanto em nível de sílaba como de fonemas.
Outro importante achado do estudo foi o fato de não ter havido relação estatisticamente significativa entre as alterações de linguagem oral e escrita e a gravidade da Aids. “Esse fato pode ser explicado pela alta incidência de alterações e pela grande maioria das crianças já estarem em estágio mais avançado da doença”, ressalta a fonoaudióloga.
A pesquisadora afirma que ficou demonstrado que o acompanhamento fonoaudiológico em crianças com distúrbio fonológico é essencial para prevenir alterações no desempenho escolar em leitura e escrita, independentemente da criança ser portadora ou não do HIV. “O acesso a medicamentos antirretrovirais mais modernos que diminuem a ação lesiva do vírus, associado ao acompanhamento de uma equipe multiprofissional capaz de abordar todos os aspectos que envolvem uma doença crônica que ainda não tem cura, são essenciais para minimizar as alterações causadas pelo impacto da doença e proporcionar a essas crianças uma melhor qualidade de vida”, destaca.
A pesquisa Estudo da consciência fonológica e do desempenho escolar em leitura e escrita de crianças soropositivas para o HIV: um acompanhamento longitudinal é descrita na tese de Doutorado de Raphaela, apresentada neste mês no Programa de Pós-Graduação em Neurociências, da FMRP, O estudo foi orientado pelo professor Osvaldo Massaiti Takayanagui.
Fonte: Agência USP
As mortes de mulheres durante a gravidez, o parto e o pós-parto aumentaram no estado do Rio, segundo relatório do Comitê Estadual de Prevenção e Controle da Mortalidade Materna. As conclusões preliminares do levantamento indicam que o índice de mortes por 100 mil nascidos vivos subiu de 67, em 2008, para 96,5 em 2009, quando foi registrado um total de 209 mortes maternas, 61 mortes a mais do que no ano anterior.
“Tivemos um salto muito grande na mortalidade materna em 2009. Tivemos a epidemia de influenza A (H1N1) [gripe suína], que matou muitas gestantes. Também houve uma mudança na dinâmica nas investigações dos óbitos, definida pelo Ministério da Saúde, em que se passou a apurar as mortes de mulheres em idade fértil”, disse a médica sanitarista Luciane Tavares Santiago, uma das responsáveis pelo levantamento. Segundo ela, desde 1998, quando a pesquisa começou a ser feita, o índice vinha se mantendo em 67 por 100 mil, número semelhante ao de outros países da América Latina, mas quase dez vezes superior ao de economias desenvolvidas.
Os dados foram divulgados hoje (30), na Assembleia Legislativa do estado (Alerj), para marcar o Dia Mundial de Combate à Mortalidade Materna, comemorado no último sábado (28). Para a deputada estadual Inês Pandeló (PT), presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Alerj, entre os motivos que ainda levam mulheres a morrer nesse período estão exames de pré-natal malfeitos e falta de vagas de maternidade no sistema público de saúde.
Ela criticou ainda o alto índice de cesarianas como componente de agravamento do quadro, pois as cirurgias contribuem para aumentar o risco de infecções e mortes.
A morte materna também está relacionada à etnia, afetando mais as mulheres negras e índias, segundo a coordenadora de mobilização da Rede Criola, Jurema Werneck. “A morte materna é a quinta causa de morte de mulheres jovens, de 10 a 29 anos, no Brasil. É algo muito grave, que demonstra uma falha do sistema de saúde.”
Fonte: Agência Brasil
Uma nova técnica desenvolvida no Instituto do Coração (InCor), em São Paulo, poderá dobrar o número de pulmões disponíveis para transplantes. O método permite recuperar órgãos que normalmente seriam descartados e usá-los em pacientes.
“O transplante de pulmão em que nós conseguimos apenas uma quantidade pequena de órgãos. De cada dez doadores não vivos de rim, nós conseguimos aproveitar um pulmão”, disse o chefe de Cirurgia Torácica e Transplante Pulmonar do InCor, Fabio Jatene. Segundo o médico, isso ocorre porque o órgão respiratório deteriora-se rapidamente. “O pulmão é um órgão que se infecta e acumula líquidos facilmente”.
Com o procedimento que foi recentemente aprovado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa, vinculada ao Ministério da Saúde, para ser usada em pacientes, Jatene espera que o aproveitamento suba de 10% para 15% e até 20% dos órgãos disponíveis. “A nossa expectativa é quase dobrar [o número de transplantes]”.
Existem hoje 85 pacientes na fila de espera por um pulmão no estado de São Paulo. Jatene disse que no ritmo atual para as cirurgias de transplantes de pulmão, a espera pelo atendimento pode durar três anos. “Anualmente nós perdemos uma quantidade importante de pacientes que não conseguem aguentar um tempo tão longo”.
O médico ressaltou, no entanto, que os pacientes poderão optar por receber um órgão “recondicionado”, ou esperar por um pulmão que esteja naturalmente em boas condições. “Evidentemente que nós vamos informar que o órgão destinado a ele seria um órgão submetido a essa técnica do recondicionamento. Se houver aceitação, será feito [o transplante]”, explicou Jatene.
Fonte: Agência Brasil
Um novo remédio contra a hepatite C deve chegar ao Brasil em outubro. O Incivek, nome comercial do componente telaprevir, pode aumentar a chance de cura em até 79%. A agência de alimentos e medicamentos do Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês) aprovou a nova fórmula na última segunda-feira (23). O custo da medicação nos EUA varia entre US$ 20 mil e US$ 30 mil. Segundo o presidente da Associação Brasileira de Portadores de Hepatite (ABPH), Humberto Silva, o composto é visto com otimismo.
“Esse remédio vai complementar a esperança de cura dos portadores de hepatite C que há 20 anos vêm se tratando. No Brasil, são 3 milhões de pessoas infectadas, e apenas 10% sabem que estão doentes. É uma coisa assustadora”, disse em entrevista ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional.
Ao chegar ao país, o medicamento precisará ter o aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para ser comercializado. O Ministério da Saúde ainda não sabe qual será o valor do remédio no mercado nacional ou se o composto será distribuído no Sistema Único de Saúde (SUS).
Além desse medicamento, foi aprovado em maio, o Victrelis, nome comercial do componente boceprevir. É um inibidor de protease – enzima de ligação fundamental para a multiplicação do vírus da hepatite C e age de maneira muito semelhante ao Incivek.
A hepatite C age no organismo por vários anos sem desenvolver qualquer sintoma, até causar a cirrose (falência hepática) e, em outros casos, também o câncer de fígado. E ainda é dividida em quatro tipos de vírus: 1, 2, 3 e 4 – chamados de genótipos. O Incivek vai agir no genótipo 1, que é justamente o mais difícil de tratar, pois é resistente aos remédios que existem.
O presidente da ABPH explica que o tratamento da hepatite traz alguns efeitos indesejáveis. Os cabelos caem, os pacientes sentem dores na cabeça, no corpo. Ele ressalta que o novo medicamento será usado de maneira complementar. “Esse remédio não substitui os já existentes que é o Interferon (injeção semanal) e a Ribavirina (cápsulas diárias). O Incivek são cápsulas diárias, que deverão ser acrescentadas aos dois medicamentos, e tomadas por 12 semanas.”
Silva alerta para a importância do teste, que pode ser feito por meio de exames de sangue, ou uma biópsia do fígado. “Pessoas de 30 a 60 anos, pessoas que tiveram transfusão de sangue, que vão muito a dentistas, que possuem tatuagens no corpo, estão no grupo de risco.”
Fonte: Agência Brasil
No Instituto de Psicologia (IP) da USP, uma pesquisa normatizou testes que medem o desenvolvimento do vocabulário auditivo e expressivo em crianças de 18 meses a 6 anos, para detecção precoce de atrasos e distúrbios de linguagem. O trabalho da pesquisadora Miriam Damázio utilizou os Testes de Vocabulário Auditivo e Expressivo, que é um banco de figuras desenvolvido no Laboratório de Neuropsicolinguística Cognitiva Experimental do IP, coordenado pelo professor Fernando Cesar Capovilla.
O estudo analisou o desenvolvimento do vocabulário auditivo e expressivo de 906 crianças de escolas particulares e públicas das cidades de Ribeirão Pires e Santo André (ambas na Grande São Paulo). Segundo Miriam, estudos científicos comprovam que o tamanho do vocabulário de uma criança aos dois anos é preditor do seu sucesso na fase escolar, portanto, a aplicação dos testes permite ao educador localizar o problema e intervir precocemente a fim de suprir os problemas futuros de alfabetização.
Os resultados da pesquisa mostraram que o vocabulário da criança cresce de acordo com a idade, com a série escolar, e também com o nível sócioeconômico (NSE). Essa avaliação foi feita em termos de número de salários mínimos pagos como mensalidade da escola (ou seja, escola pública = 0; escolas privadas = 1 salário/mês ou 2 salários/mês). Observando a interação entre ano e nível sócioeconômico, observou-se que no 2º. ano, crianças da escola pública (NSE de 0 salário/mês) apresentaram vocabulário expressivo significativamente inferior ao das crianças de escola privada.
Testes
Primeiramente, foi aplicado o teste auditivo, que consiste de 33 figuras divididas em sete pranchas. Cada uma das pranchas com 5 linhas e em cada linha, cinco figuras, sendo 1 figura alvo e quatro figuras distraidoras. A tarefa é apontar para a figura correspondente à palavra falada pelo avaliador (para crianças de 1 e 2 anos) ou de marcar essa figura com um lápis (para crianças de 3 a 6 anos de idade).
Em seguida, o teste expressivo avaliou o vocabulário expressivo falado de crianças de 1 ano e 6 meses até 5 anos e 11 meses. O teste é composto de um caderno espiral de 100 páginas, do tamanho A5. Em cada página há uma figura. A tarefa da criança é nomear oralmente a figura mostrada pelo avaliador. A criança desenvolve o seu vocabulário ouvindo as pessoas que estão ao seu redor e ouvindo histórias. “Quando a criança possui 50 palavras em seu vocabulário expressivo (falado), já possui um vocabulário auditivo de 200 palavras”, explica a pesquisadora.
A pesquisa realizada por Miriam Damázio faz parte de dissertação de Mestrado na área de Psicologia Experimental, orientada pelo professor Fernando Cesar Capovilla. O banco de figuras utilizado nos testes foi desenvolvido pela pesquisadora Valéria Negrão, no Laboratório de Neuropsicolinguística Cognitiva Experimental do IP. Os estudo também serviu de base para a elaboração do livro Teste Auditivo e Teste de Vocabulário Expressivo, lançado pela Editora Memnon.
Fonte: Agência USP