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Resíduos da agroindústria alimentícia podem servir como fontes ricas de compostos bioativos. Uma pesquisa realizada na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, mostrou que esses materiais podem conter antioxidantes e compostos antimicrobianos naturais que podem ser utilizados pela indústria de alimentos.

De acordo com Priscilla Siqueira Melo, formada em Ciências dos Alimentos e uma das autoras do estudo, pesquisas têm revelado que os antioxidantes sintéticos utilizados atualmente pela indústria de alimentos podem apresentar danos à saúde humana dependendo da dose e do tempo de exposição. Por isso, o projeto pretende fornecer subsídios à indústria de alimentos para a utilização de antioxidantes naturais.

“Os resíduos da agroindústria podem ser considerados fontes potenciais desses compostos, de modo que, ao serem aproveitados, resultam em maiores ganhos econômicos, diminuindo simultaneamente o impacto do seu descarte no ambiente”, conta Priscilla. A pesquisadora analisou resíduos oriundos do processamento vinícola, de tomate, de goiaba e do setor cervejeiro.

 

Compostos encontrados

A pesquisa avaliou a atividade antioxidante por quatro diferentes métodos in vitro e a atividade antimicrobiana, além de identificar, por cromatografia gasosa com espectrometria de massas (CG-EM), os compostos bioativos. As análises confirmaram que potentes antioxidantes são descartados em grande quantidade durante as cadeias produtivas agroindustriais, já que a maior parte das amostras analisadas, particularmente os resíduos vinícolas, é rica em compostos bioativos. O perfil químico das amostras revelou que a epicatequina foi o composto majoritário presente tanto nos extratos etanólicos quanto aquosos de todos os resíduos vinícolas. Já para os bagaços de goiaba e tomate, a quercetina foi o composto predominante. Outros compostos como ácido gálico, ferúlico, caféico, vanílico, sinápico, resveratrol e siríngico também foram identificados.

“Diante disso, esses resíduos podem ser considerados uma fonte barata e amplamente disponível para extração de compostos antioxidantes. Esses, por sua vez, são passíveis de serem incorporados nas indústrias alimentícia, cosmética e farmacêutica, sob evidente respaldo de estudos de extração em escala industrial e aplicação, gerando, assim, maiores ganhos econômicos e menores impactos ambientais”, aponta a pesquisadora.

 

Pesquisa em andamento

Concluído o trabalho de Priscilla, as amostras de maior poder antioxidante estão sendo fracionadas por técnicas cromatográficas e o composto químico de interesse isolado a fim de elucidar as substâncias responsáveis pela atividade antioxidante verificada nos ensaios anteriores. Esta nova etapa contempla um projeto de doutorado, atualmente desenvolvido no Laboratório de Bioquímica e Análise Instrumental da Esalq. Os resultados deste estudo já foram apresentados em 2009 no 8º Simpósio Latino Americano de Ciência de Alimentos, em Campinas, e, em 2010, nos eventos IFT Annual Meeting and Food Expo, em Chicago e 25th International Conference on Polyphenols, em Montpellier, na França.

O material utilizado para a pesquisa foi coletado em diversas partes do País. Os da indústria vinícola (bagaço, engaço e borra da fermentação) foram adquiridos em Bento Gonçalves (RS) e Petrolina (PE), em parceria com a Embrapa Uva e Vinho e Embrapa Semi-Árido, respectivamente. Os bagaços de tomate e goiaba foram coletados em Monte Alto (SP), e o bagaço de malte foi proveniente de uma cervejaria em Jacareí (SP).

A pesquisa Prospecção e identificação de compostos bioativos de resíduos agroindustriais para aplicação em alimentos e bebidas foi realizada como parte do programa de pós-graduação em Ciência e Tecnologia de Alimentos da Esalq e teve o apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

 

Agência USP de Notícias

Link de acesso: http://www.usp.br/agen/?p=44713

Um programa desenvolvido no Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) apresentou bons resultados para a reintegração social de pacientes com esquizofrenia por meio da realização de estágios em empresas.

Em uma amostra de 57 pacientes que já haviam concluído o estágio, foram constatados ganhos cognitivos ligados ao funcionamento intelectual — memória, raciocínio, atenção —, em comparação a 55 portadores de esquizofrenia que aguardavam vaga para ingressarem no estágio. Dos pacientes que participaram do programa, ao fim do período, 42% foram contratados pela mesma empresa onde estagiaram.

Os dados são do Programa Reação, uma iniciativa do professor Wagner Farid Gattaz, do IPq. O programa foi iniciado em 2003 e, desde então, atendeu a cerca de 100 pacientes. O programa foi oferecido até abril deste ano, quando foi interrompido devido a falta de patrocínio. Para dar continuidade à iniciativa, os pesquisadores estão buscando agora novas empresas interessadas em bancar com os custos referentes a bolsa de R$200,00 mensais oferecidas aos pacientes durante os 6 meses de estágio, além dos custos de contratação de uma assistente social para supervisionar o trabalho.

De acordo com a psicóloga Danielle Soares Bio, uma das integrantes da equipe, a esquizofrenia é uma doença grave que apresenta sintomas produtivos (alucinações como ouvir vozes, e delírios, que são distorções da realidade), sintomas deficitários (retraimento social, diminuição dos impulsos e da vontade) e dificuldades cognitivas. “Uma pessoa com esquizofrenia poderá obter o controle de seus sintomas se tomar medicação continuamente. Todavia, os medicamentos têm um efeito preponderante nos sintomas produtivos, tendo um efeito mais modesto nos sintomas deficitários da doença”,explica. ” Como a doença geralmente se inicia no final da adolescência ou início da vida adulta, muitos dos pacientes nao tiveram tempo de concluir uma formação profissional e, por isso, ou são desempregados ou nunca trabalharam”, completa a psicóloga, lembrando que os esquizofrênicos apresentam muito mais dificuldades para se engajarem na sociedade do que pacientes com outras doenças psiquiátricas, como a depressão.

Segundo Danielle, os esquizofrênicos têm dificuldades por causa da doença, mas o fato de não exercerem nenhuma atividade, de ficarem parados, em muito contribui para este prejuízo cognitivo. “Com a participação no estágio, os pacientes tiveram melhora no aspecto cognitivo”, conta.

 

Reintegração

A idéia do projeto surgiu a partir de um modelo implementado pelo professor Gattaz quando ele era docente no Central Institute of Mental Health Mannheim, ligado a Universidade de Heidelberg (Alemanha), onde trabalhou de 1978 a 1996 . O projeto visava a reintegração social e profissional de pacientes psiquiátricos após a alta hospitalar. O modelo teve sucesso e foi adotado por outras clínicas universitárias da Alemanha, chegando a ser incluído e coberto pelos programas de seguridade social daquele país.

Em 2003, a equipe inicial do projeto, além do professor Gattaz, era formada por um psiquiatra clínico e uma assistente social. Para a escolha dos pacientes esquizofrênicos atendidos no Ipq que poderiam participar do programa, foram considerados critérios como: o último surto deveria ter ocorrido há pelo menos seis meses e eles deveriam estar desempregados.

Após essa consulta inicial com o psiquiatra clínico, os pacientes foram encaminhados para uma triagem com a assistente social. Ela realizou entrevistas com os pacientes e também com seus familiares para explicar os detalhes do funcionamento do projeto e selecionar os interessados em participar. “Muitos não se interessaram com medo de perder o auxílio doença”, conta Danielle, ressaltando que esta possibilidade não existe, pois trata-se de um programa de reabilitação que faz parte do tratamento e que a bolsa tem duração de 6 meses. A assistente social fez ainda a busca de vagas nas empresas, e ficou responsável pela mediação entre elas e os pacientes. Sua função principal era realizar visitas regulares nas empresas para verificar o andamento do estágio.

 

Empresas e funções

Entre as empresas que ofereceram as vagas de estágios estão: escolas, loja de sapatos, fábrica de aromas, bancos, padarias, bibliotecas e agência de publicidade. Os pacientes fizeram estágios exercendo funções como: padeiro, garçom, atendimento telefônico, atendimento ao cliente, serviços administrativos. A bolsa que os paciente recebiam, no valor de R$200,00 mensais, era paga por empresas patrocinadoras do projeto.

Segundo Danielle, a única exigência que os pesquisadores fizeram às empresas é que as negociações referentes a contratação desses pacientes como funcionários deveria ser feita fora do contexto do programa. “O foco do projeto é a reabilitação social do paciente e não arrumar um trabalho para ele”, ressalta a psicóloga. Segundo ela, 42% dos pacientes acabaram sendo contratados após o estágio. Os pacientes esquizofrênicos do IPq que participaram do projeto têm idades entre 19 a 45 anos, sendo a maioria (80%) de homens.

O projeto “Reabilitação vocacional e suas implicações no funcionamento cognitivo do paciente com esquizofrenia” foi um dos finalistas na Categoria Saúde Mental e Emocional do Prêmio Saúde 2010, oferecido pela Editora Abril. O trabalho foi recentemente publicado no Schizophrenia Research, um dos mais renomados periodicos cientificos desta area.

Empresas interessadas em patrocinar o projeto devem entrar em contato com sra. Zelinda Garcia pelo telefone (011) 3069-8010 ou email O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. ou com a psicologa Danielle Bio (011) 2092-3070 ou email O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo..

 

 

Por Valéria Dias - Agência USP de Notícias

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Ação conta com financiamento da Usaid, no valor de US$ 750 mil dólares. Projeto-piloto terá duração de um ano e envolverá 13 municípios da região Sul

 

Vinte e quatro Serviços Ambulatoriais Especializados (SAE) de 13 cidades da região Sul vão integrar um projeto-piloto que visa a redução casos de tuberculose nas pessoas vivendo com HIV/aids (PVHA). A partir deste mês, serão realizadas ações para sensibilizar e capacitar equipes com o objetivo de melhorar o diagnóstico e o tratamento oportuno de pacientes infectados pelo bacilo de Koch, que causa a tuberculose.

Uma das atividades será a realização de oficinas destinadas aos profissionais de saúde para orientá-los quanto à detecção da doença em pessoas que procuram os SAE. Nos casos em que a tuberculose for identificada, o tratamento, com duração de seis meses, será iniciado imediatamente. Os principais sinais e sintomas são tosse por mais de três semanas, febre e emagrecimento.

A ação é resultado de um projeto elaborado pelo Programa Nacional de Controle da Tuberculose (PNCT) e pelo Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, com o objetivo de fortalecer ações de tratamento e prevenção de tuberculose entre pessoas vivendo com HIV/aids. O Projeto TB/HIV – Sul conta com o apoio financeiro da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) e terá duração de um ano, podendo ser renovado por período equivalente. Embora seja de curta duração, a ação deve servir de modelo para a expansão de projetos semelhantes nos estados e municípios.

O Projeto TB/HIV – Sul está sendo apresentado hoje (10) de manhã em Porto Alegre pelo coordenador do Programa Nacional de Controle da Tuberculose (PNCT) do Ministério da Saúde, Draurio Barreira. A reunião para apresentação do projeto teve início às 9h e se estende até 12h30 no Hospital Sanatório Partenon.

Também participam do evento o técnico da Unidade de Assistência do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, Marcelo Araújo de Freitas, representantes da Secretaria de Estado da Saúde (SES) do Rio Grande do Sul e dos municípios selecionados para integrar o projeto.

SELEÇÃO - Foram selecionados aqueles municípios com prevalência de 20% ou mais de casos de HIV em pessoas com tuberculose, percentual considerado alto pelo Ministério da Saúde. No Rio Grande do Sul, o projeto beneficiará Porto Alegre e outros nove municípios da Região Metropolitana (Alvorada, Cachoeirinha, Canoas, Esteio, Gravataí, Novo Hamburgo, São Leopoldo, Sapucaia do Sul e Viamão). Em Santa Catarina, as cidades contempladas são Florianópolis e Itajaí, e no Paraná, o município de Paranaguá. Nessas cidades, também estarão envolvidos no projeto representantes da sociedade civil, como Organizações Não Governamentais (ONG) e os conselhos estaduais e municipais de saúde.

No Ministério da Saúde, o acompanhamento da ação será realizado pela Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), por meio do Programa Nacional de Controle da Tuberculose (PNCT) e do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais. Quanto aos parceiros internacionais, além da Usaid, que repassará 750 mil dólares ao projeto, haverá a participação da ONG MSH, Management Sciences for Health (Gerenciamento da Ciência da Saúde), responsável pela execução financeira junto aos municípios.

Basicamente, a ação consistirá na aplicação de três orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS), que são: investir no tratamento preventivo com isoniazida, medicamento usado no esquema profilático contra a tuberculose; intensificar a busca de casos entre as pessoas portadoras do HIV e/ou aids; e tratar os casos que forem encontrados.

MODELO - Um dos resultados esperados do projeto-piloto é a definição de um modelo de avaliação clínica das PVHA para a detecção precoce da tuberculose, o que, hoje, constitui um desafio, uma vez que a tosse por mais de três semanas nem sempre é o sintoma mais frequente da doença.

“É necessário investigar diversas associações de sinais e sintomas para antecipar o diagnóstico”, diz o coordenador do Programa Nacional de Controle da Tuberculose (PNCT), Draurio Barreira. “Com o tratamento oportuno dos casos, podemos reduzir óbitos pela doença nas pessoas coinfectadas”, completa.

O diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, Dirceu Greco, lembra que, dos casos diagnosticados de tuberculose no Brasil, cerca de 10% são de pessoas também infectadas com o HIV. “O diagnóstico precoce em pessoas vivendo com HIV/aids é, certamente, um passo importante para o controle das duas infecções”, ressalta.

O projeto também estimulará a implantação do Tratamento Diretamente Observado (TDO) de tuberculose nos SAE dos municípios, estratégia de acompanhamento de casos que favorece o cumprimento adequado do longo esquema terapêutico. Além disso, pretende-se melhorar sistemas de informação, realizar uma avaliação do nível de conhecimento sobre a tuberculose entre pessoas vivendo com HIV e aids e fazer uma avaliação dos serviços de saúde nos municípios.

O diagnóstico da tuberculose em pessoas vivendo com HIV é recomendado pelo Ministério da Saúde e um direito do usuário do Sistema Único de Saúde (SUS). Porém, cabe aos estados e municípios a inclusão do diagnóstico de tuberculose no protocolo de atendimento aos pacientes nas unidades de saúde que acolhem pessoas soropositivas.

SITUAÇÃO – No Brasil, são registrados aproximadamente 70 mil novos casos de tuberculose por ano e cerca de cinco mil óbitos. Na região Sul, foram 9.048 novas notificações em 2009, sendo 5.036 no Rio Grande do Sul, 2.361 no Paraná e 1.651 em Santa Catarina.

 

Ministério da Saúde

Link de acesso: http://portal.saude.gov.br/portal/aplicacoes/noticias/default.cfm?pg=dspDetalheNoticia&id_area=124&CO_NOTICIA=12006

Princípio ativo da clofazimina será produzido por laboratório oficial brasileiro e só poderá ser utilizado na rede pública de saúde

 

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, e o presidente do laboratório farmacêutico Novartis no Brasil, Alexander Triebnigg, assinaram, na tarde desta quarta-feira (15/12), acordo de transferência de tecnologia para produção nacional do princípio ativo da clofazimina, um dos medicamentos utilizados no tratamento da hanseníase. O princípio ativo será produzido por laboratório oficial brasileiro, a ser definido pelo Ministério da Saúde, e só poderá ser utilizado na rede pública de saúde. A expectativa é que o Brasil domine a tecnologia de produção da clofazimina dentro de cinco anos.

Com o acordo, demandado pelo Ministério da Saúde, a Novartis fará doação ao governo brasileiro de três medicamentos usados no tratamento da doença, entre 2011 e 2015: rifampicina, dapsona e clofazimina. As drogas serão doadas em dois tipos de formulação combinada: uma tripla, com os três princípios ativos, e outra dupla, com rifampicina e dapsona. O Brasil já domina a tecnologia de produção desses dois medicamentos, mas separadamente. O uso das formulações combinadas favorece a adesão ao tratamento da doença.

A doação de clofazimina não terá interferência de organismos internacionais e será em quantidade suficiente para assegurar o tratamento dos portadores de hanseníase no Sistema Único de Saúde (SUS) e a manutenção de estoque estratégico do Ministério da Saúde. Um grupo técnico constituído por representantes do Ministério da Saúde e da Novartis acompanhará a execução do acordo, para garantir o fornecimento contínuo e adequado dos medicamentos, além dos detalhes relativos à transferência de tecnologia.

Nos próximos cinco anos, deverão ser doados ao Brasil, a cada ano, um total de 700 mil comprimidos de clofazimina, para adultos e crianças – totalizando 3,5 milhões de unidades, no período. Com relação aos outros medicamentos, nos próximos cinco anos, serão doados mais de 2,9 milhões de unidades na formulação tripla e 1 milhão de unidades da formulação dupla, considerando tratamentos adultos e pediátricos.

O ministro José Gomes Temporão ressaltou o fortalecimento da capacidade brasileira no campo da inovação e do desenvolvimento da produção de medicamentos. “Esse acordo é muito importante para nós porque a hanseníase ainda é importante do ponto de vista de saúde pública no Brasil. É uma doença que o presidente Lula tem um carinho e uma preocupação muito especial, [principalmente] pelos que sofrem hoje e pelos que no passado foram estigmatizados”. Ele destacou que o acordo dará autonomia de produção ao Brasil, que poderá, no futuro, doar o medicamento para outros países.

Alexander Triebnigg disse que, dentro da lógica de parceria global da empresa com os portadores de doença, “é uma honra para a Novartis participar na luta junto com o governo brasileiro para melhorar as condições de tratamento dos pacientes que convivem com hanseníase”. Segundo o laboratório, desde 2000, foram doados mais de 45 milhões de tratamentos, ajudando a curar aproximadamente cinco milhões de pacientes em todo o mundo.

CURA SEM SEQUELA – O Secretário de Vigilância em Saúde do Ministério, Gerson Penna, avalia que é importante o Brasil dominar a tecnologia de produção da clofazimina, pois o controle da hanseníase no Brasil é baseado no diagnóstico precoce de casos. Com o diagnóstico precoce e o início oportuno do tratamento, aumentam as chances de cura dos pacientes, sem sequelas, e de interrupção das fontes de infecção pelo bacilo causador da hanseníase.

Para Reinaldo Guimarães, Secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, o acordo é mais um passo na consolidação da política do Complexo Industrial da Saúde, impulsionada na gestão do ministro José Gomes Temporão.

No Brasil, o número anual de casos novos da doença vem caindo desde 2003. Naquele ano, foram 51.941 registros. Em 2009, foram 37.610 notificações. Com relação à transmissão entre menores de 15 anos, adotada pelo governo brasileiro como principal indicador de monitoramento da transmissão ativa da doença, o número de casos em 2009 foi de 2.669, contra 3.444 em 2006. Quanto ao percentual de cura, em 2008, o resultado foi de 81,2%, o que representou 33.611 pacientes curados.

 

Ministério da Saúde

Link de acesso: http://portal.saude.gov.br/portal/aplicacoes/noticias/default.cfm?pg=dspDetalheNoticia&id_area=124&CO_NOTICIA=12007

Brasília – O Sistema Único de Saúde (SUS) pode começar a utilizar o exame capaz de diagnosticar a tuberculose em menos de duas horas no primeiro semestre de 2011. Atualmente, o resultado demora cerca de dois meses.

O diagnóstico foi testado com sucesso em outros países e recebeu o aval da Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, o governo prepara o teste piloto do novo método no Rio de Janeiro e em Manaus, fase que vai durar quatro meses.

As duas capitais concentram o maior número de casos da doença, além de registrarem altas temperaturas e umidade, requisitos exigidos para avaliar a qualidade do exame.

“Tudo leva a crer que vamos conseguir incorporar [o diagnóstico] ao SUS. Se os resultados forem como o esperado, pode estar disponível em 2011”, disse Dráurio Barreira, coordenador do Programa Nacional de Controle da Tuberculose, do Ministério da Saúde.

Desenvolvido pela empresa norte-americana Cepheid em parceria com uma organização internacional sem fins lucrativos, o diagnóstico, chamado GeneXpert, consiste em uma máquina e um recipiente onde é colocada a amostra com secreção respiratória do paciente. Em poucas horas, a máquina analisa o material biológico e indica se há presença do bacilo de Koch. O teste permite saber também se o paciente tem sensibilidade aos medicamentos mais comuns no tratamento.

A rapidez contribui para o tratamento precoce da doença. “É um tempo precioso para o paciente”, afirmou o coordenador. Barreira disse que o novo teste significará economia aos cofres públicos. Cada kit custa de US$ 14 a US$ 17, mais barato que o atual método de laboratório, cotado em R$ 85. De acordo com Barreira, o teste atual continuará sendo usado junto com o novo diagnóstico. O projeto conta com o apoio financeiro da Fundação Bill Gates.

Segundo o coordenador, o uso da máquina é simples e não exige habilitação específica do profissional. “É apenas leitura do resultado. Não há interpretação. O profissional tem que colher a amostra e colocar na máquina”. Por ser rápido e de fácil uso, o teste, segundo Barreira, é ideal para ser aplicado em moradores de rua e populações indígenas, que têm dificuldade de acesso aos serviços de saúde.

No Brasil, são registrados cerca de 72 mil casos por ano e 5 mil mortes. A tuberculose é transmitida pelo ar. Quando o doente fala, espirra ou tosse, lança gotículas com o bacilo. Estima-se que um doente, sem tratar, pode infectar dez a 15 pessoas em um ano.

A transmissão é interrompida duas semanas após o começo do tratamento. Os sintomas são tosse persistente, febre alta, suor excessivo, perda de peso e cansaço. O tratamento está disponível na rede pública de saúde com duração de seis meses. Há cura em quase todos os casos, conforme dados do Ministério da Saúde.

 

 

Carolina Pimentel - Repórter da Agência Brasil

Edição: Rivadavia Severo

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