Notícias

Agência FAPESP – As pesquisas com foco em novas terapias para a leishmaniose foram identificadas como uma das possíveis áreas de interesse comum para cooperações entre cientistas do Brasil e do Reino Unido durante o UK-Brazil Tropical Medicine Workshop, encerrado nesta terça-feira (22/2) na capital paulista.

A partir de experiências de colaborações existentes nos estudos sobre a leishmaniose entre os dois países, alguns dos participantes do evento constataram que as cooperações científicas internacionais são mais proveitosas quando se baseiam em relacionamentos de longo prazo e na confiança mútua.

O evento de dois dias promovido pela FAPESP e pelo Consulado Britânico em São Paulo reuniu 30 cientistas do Brasil e do Reino Unido com o objetivo de incrementar as cooperações entre os dois países nas pesquisas sobre doenças tropicais. Iniciativa da Academia de Ciências Médicas (AMS, na sigla em inglês) do Reino Unido, o workshop integra a Parceria Brasil-Reino Unido em Ciência e Inovação.

Além de identificar áreas de interesse mútuo para pesquisa sobre doenças como leishmaniose, malária, esquistossomose e doença de Chagas, o evento também teve o objetivo de discutir os mecanismos de financiamento para as parcerias.

Durante o evento, Silvia Uliana, professora do Departamento de Parasitologia do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo (USP), apresentou um trabalho de seu laboratório, ainda em andamento, relacionado a novas terapias para a leishmaniose.

O grupo de Silvia testou a aplicação do tamoxifeno, medicamento amplamente utilizado no tratamento de câncer de mama, para leishmaniose. A droga foi testada em diferentes modelos animais, em combinação com outras utilizadas contra a Leishmania e em várias vias de administração. Os resultados preliminares são promissores.

“A vantagem de adaptar o uso de um medicamento que já está no mercado é que ele possui um perfil de segurança conhecido. No tratamento de câncer, há efeitos colaterais, mas a administração é feita continuamente por cinco anos. No tratamento da leishmaniose, a proposta seria diferente, com aplicação por apenas algumas semanas”, disse Silvia à Agência FAPESP.

No entanto, os cientistas ainda não sabem se o tamoxifeno poderá ser utilizado em pacientes humanos. Embora os testes clínicos de fase 1 sejam dispensáveis, pois o medicamento já foi aprovado para uso em humanos para o câncer, ainda será preciso realizar os testes clínicos de fase 2. “Além disso, embora o medicamento tenha se mostrado eficiente para matar a Leishmania, ainda não sabemos como ele faz isso. É preciso estudar a fundo seu mecanismo de ação”, disse.

Conhecer o mecanismo de ação é fundamental, porque o tamoxifeno é um modulador do receptor de estrógeno e, por isso, existe possibilidade de que tenha limitações para o uso em crianças ou mulheres em idade fértil.

“A longo prazo, os estudos sobre o mecanismo de ação podem nos levar a entender como modificar a molécula do tamoxifeno para impedi-la de interagir com o receptor de estrógeno, mantendo seu efeito contra a Leishmania”, indicou a pesquisadora.

É nesse contexto que a colaboração com cientistas do Reino Unido pode trazer avanços importantes. “Ainda não temos uma cooperação nesse trabalho específico da quimioterapia com tamoxifeno, mas nosso laboratório tem vários outros projetos em andamento com participação com colegas britânicos”, disse Silvia.

A pesquisadora realizou seu pós-doutorado, em 1995 e 1996 no laboratório liderado por Deborah Smith – outra participante do workshop, também especialista em leishmaniose – no Imperial College of Science, Technology and Medicine, em Londres, com Bolsa da FAPESP. Desde então, as pesquisadoras desenvolvem interações científicas. Deborah atua hoje na Universidade de York, também no Reino Unido.

“O trabalho que será desenvolvido para compreender os mecanismos de ação do tamoxifeno sobre a Leishmania certamente terá colaboração desse grupo britânico. A infraestrutura de pesquisa deles será importante para determinadas técnicas que utilizaremos para o avanço dessa pesquisa”, disse Silvia.

 

Trabalho a longo prazo e confiança mútua

De acordo com Deborah, as colaborações de longo prazo com cientistas brasileiros – em especial paulistas – têm sido fundamentais para o desenvolvimento de suas pesquisas.

“Nosso foco é o trabalho com leishmaniose, em ciência molecular e celular, visando ao desenvolvimento de novas terapias. Para fazer isso, é preciso colaborar com colegas em países endêmicos, onde haja acesso a novo conhecimento sobre muitas linhagens e especificidades que não temos no Reino Unido, onde não existe a leishmaniose”, disse Deborah à Agência FAPESP.

Segundo ela, a parceria com Silvia é um exemplo de sucesso para as futuras cooperações entre cientistas dos dois países. Desde que tiveram contato em 1995, as duas pesquisadoras já publicaram diversos artigos juntas.

“É especialmente importante ter bons contatos, de modo que possamos estabelecer relacionamentos de longo prazo e trabalhar juntos de maneira perene. No caso de Silvia, nos encontramos regularmente quando venho ao Brasil. No futuro, esse é o tipo de relacionamento que eu quero expandir”, afirmou Deborah.

Um aspecto central da parceria, segundo ela, é o intercâmbio de estudantes dos dois países, que têm diferentes necessidades de treinamento. “As portas do meu laboratório em York estão abertas para os estudantes brasileiros que precisam receber algum tipo específico de treinamento. Sei que meus estudantes também serão recebidos em São Paulo para realizar determinado tipo de trabalho, como testar seus projetos em situação de campo”, afirmou.

Outro exemplo de bom relacionamento de cooperação de pesquisa, segundo Deborah, é sua conexão com a equipe de outra participante do workshop: Angela Kaysel Cruz, professora do Departamento de Biologia Celular e Molecular da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP.

Angela trabalha com a genética da Leishmania e coordena um Projeto Temático sobre o tema, com financiamento da FAPESP.

“Nós duas trabalhamos no desenvolvimento do projeto genoma da Leishmania. Entramos em contato pela primeira vez há muitos anos e em 1994 tivemos nosso primeiro encontro de planejamento, no Rio de Janeiro. Atualmente, trabalhamos em conjunto com encontros bastante regulares. Ao longo desse tempo, foi possível estabelecer uma relação de confiança mútua que é fundamental para o avanço científico nesse tipo de pesquisa”, disse Deborah.

 

 

Por Fábio de Castro - Agência FAPESP

Link de acesso: http://www.agencia.fapesp.br/materia/13495/interacoes-de-longo-prazo.htm

Este é o segundo tumor mais frequente na população feminina, ficando atrás apenas do câncer de mama

 

O Instituto Nacional do Câncer (Inca), em parceria com o Ministério da Saúde, inicia nesta segunda-feira (21) consulta pública sobre as Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero. O objetivo é aperfeiçoar as diretrizes técnicas para a investigação da doença. A medida resultará em orientações aos profissionais de saúde sobre a necessidade de se estabelecer mecanismos de acompanhamento das terapias indicadas ao tratamento deste tipo de câncer como também a avaliação dos resultados destes procedimentos.

A Consulta Pública 01/2011, publicada no Diário Oficial da União de hoje e disponível na página do Inca na internet, estará aberta a contribuições durante os próximos 30 dias. As sugestões devem ser encaminhadas exclusivamente para endereço eletrônico fornecido pelo Inca especificando o número e o nome da consulta no título da mensagem.

A medida – cujo objetivo final é aprimorar as diretrizes do Programa Nacional do Câncer do Colo do Útero, coordenado pelo Inca – é aberta à participação da comunidade técnico-científica, de associações médicas, profissionais da saúde, associações de pacientes, usuários e gestores do Sistema Único de Saúde (SUS) e de toda a sociedade.

“As diretrizes serão construídas para auxiliar os profissionais de saúde a tomar decisões diante de situações muito específicas; mas, nada substituirá a avaliação clínica feita pelo médico”, explica o coordenador-geral de Ações Estratégicas do Inca, Cláudio Noronha.

Só em 2010 foram feitos mais de 11 milhões de exames citopatológicos pelo SUS. “Mesmo com os avanços obtidos na atenção primária e em todo o SUS, a redução da incidência e da mortalidade por câncer do colo do útero continua sendo uma meta na saúde pública brasileira”, observa a coordenadora de Média e Alta Complexidade do Ministério da Saúde, Maria Inez Gadelha.

 

INCIDÊNCIA – De acordo com o Inca, o câncer do colo do útero é o segundo tumor mais frequente entre a população feminina (ficando atrás apenas do câncer de mama) e a quarta causa de morte de mulheres por câncer no Brasil. Por ano, faz uma média de 4,8 mil vítimas fatais e apresenta 18,5 mil novos casos, com um risco estimado de 18 casos a cada 100 mil mulheres.

No entanto, o país avançou na capacidade de realizar diagnóstico precoce deste tipo de câncer. Prova disso está no fato de que, na Década de 90, 70% dos casos analisados eram da doença em estágio mais agressivo.

Atualmente, segundo o Inca, 44% dos casos de câncer do colo do útero são de lesão precursora (e localizada) do tumor, chamada in situ, passível de prevenção por meio do exame preventivo – conhecido como Papanicolaou. Mulheres diagnosticadas precocemente e tratadas de forma adequada têm praticamente 100% de chance de cura.

 

 

Por Andresa Feijó, da Assessoria de Imprensa do Inca e Izabel Bacelar, da Agência Saúde

Link de acesso: http://portal.saude.gov.br/portal/aplicacoes/noticias/default.cfm?pg=dspDetalheNoticia&id_area=124&CO_NOTICIA=12230

Para que a festa não acabe em diarréias e intoxicações, é preciso não abusar de álcool e de alimentos gordurosos


Na preparação para o Carnaval e durante a festa, o folião não pode esquecer da alimentação. Para quem já comprou a fantasia este item é apenas um adereço, mas é importante tomar cuidados para evitar diarréias, intoxicações, febre e vômitos. Segundo especialistas, o maior pecado é o excesso de bebidas e alimentos gordurosos, como geralmente é a alimentação dos foliões.

"A primeira coisa importante é sempre se hidratar muito bem, tomando água, água de coco, um suco de fruta, tomando cuidado também pra ver se as frutas foram conservadas adequadamente”, explica o gastroenterologista do Hospital Federal dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro, André Nazar. A hidratação deve ser feita não só antes, mas durante e após para repor tudo o líquido perdido.

Ele lembra que não podem faltar alimentos leves, como frutas e legumes. “De preferência, escolher bem o lugar que come, porque a maioria das vezes se come na rua. Esses alimentos quentes de carrocinha de rua, tipo cachorro quente, maionese exposta ao sol, devem ser evitados". Para não ficar com fome ele aconselha levar sempre consigo barra de cereais.

Outra dica de Nazar são os sorvetes, principalmente, os de fruta. Ele aconselha ainda evitar carnes mal passadas ou cruas, como carpaccio e comidas japonesas. Esses alimentos associados ao calor facilitam a intoxicação alimentar.

 

 

Por Leonia Vieira – Ascom/MS e Juliana Costa - Web Rádio Saúde

Link de acesso: http://portal.saude.gov.br/portal/aplicacoes/noticias/default.cfm?pg=dspDetalheNoticia&id_area=124&CO_NOTICIA=12235

Pesquisas na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), da USP, abrem perspectivas para se conhecer a evolução do câncer de mama e, ainda, indicam caminhos que podem levar a melhorar a eficiência da quimioterapia e, assim, a resposta ao tratamento.

Os estudos investigaram a expressão, ou seja, a presença de duas proteínas, a HIF-1-alfa (fator induzível por hipóxia-1-alfa) e a VEGF-C (fator de crescimento endotelial vascular), em mulheres com câncer de mama localmente avançado. Segundo os pesquisadores, Luiz Gustavo Brito e Viviane Schiavon, pós-graduandos do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da FMRP e autores dos estudos, ao analisarem a presença do HIF-1-alfa e do VEGF-C nessas mulheres, verificou-se que o primeiro teve prevalência de 66% e o segundo de 63%.

Enquanto o HIF-1-alfa esteve mais intenso, ou seja, apareceu mais em mulheres com axila comprometida pelo câncer, o VEGF esteve mais presente naquelas que fizeram quimioterapia e cuja resposta foi boa. “Isso quer dizer que quanto mais agressivo era o câncer, mas presente o HIF-1-alfa estava, enquanto o VEGF está relacionado a resposta ao tratamento nessas mulheres”, explica Brito.

Para os pesquisadores futuramente, o HIF-1-alfa poderá ser usado como marcador que dirá qual vai ser o prognóstico da mulher com câncer de mama, ou seja, como será a sua evolução. Já o VEGF-C terá um papel importante nas mulheres que farão quimioterapia. “A quimioterapia funcionou melhor nas pacientes cujo tumor expressou o VEGF, o que sugere que o tumor, ao aumentar a produção de vasos por esta proteína, aumenta a chegada da droga até o leito, matando essas células”, diz Viviane.

Os pesquisadores trabalharam somente com mulheres com câncer localmente avançado e metastático. “Ao contrário dos países desenvolvidos, onde as mulheres descobrem o câncer precocemente, no Brasil, por exemplo, devido ao retardo no diagnóstico, os tratamentos são feitos em estágios mais avançados da doença, às vezes sem cura. Todas as mulheres pesquisadas já haviam se submetido à quimioterapia e cirurgia”.

HIF-1-alfa é uma proteína descoberta recentemente e ainda pouco conhecida da ciência. Brito diz que pesquisas já têm mostrado que futuramente ela será utilizada para saber qual o perfil do câncer de mama da paciente, se é agressivo o não. “Aí é que entra nossa contribuição. Cada vez mais o tratamento do câncer de mama é individualizado, baseado no comportamento tumoral específico daquela paciente”.

Já Viviane, responsável pela investigação do VEGF-C, adianta que essa proteína já é estudada há mais de 50 anos. “Mas estudos com grupo de mulheres com câncer de mama localmente avançado são poucos e menos ainda aqueles que mostram o seu comportamento, mas ela só deverá ser utilizada como marcador futuramente para predizer uma boa resposta à quimioterapia, assim como pelo uso de drogas que bloqueiem sua ação”, resume.

As pesquisas foram orientadas pelo professor Heitor Ricardo Cosiski Marana, médico assistente do Hospital das Clínicas da FMRP, e supervisionadas pelo professor Jurandyr Moreira de Andrade, chefe do Setor de Mastologia e Oncologia Ginecológica do HC-FMRP. Deram origem ao trabalho Expressão do Fator Indutor de Hipóxia tipo 1-alfa (HIF-1-alfa) e VEGF-C (Vascular Endothelial Growth Factor-C) em pacientes com câncer de mama localmente avançado e metastático, apresentado no final do ano passado nos Congressos Paulista de Obstetrícia e Ginecologia, onde recebeu menção honrosa, e no Mundial de Mastologia, em Valência, Espanha.

 

Câncer de Mama no Brasil

Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) para 2010 eram esperados 49.240 novos casos de câncer de mama, ou seja, um risco estimado de 49 casos a cada 100 mil mulheres. Ainda, de acordo com o INCA, na Região Sudeste, o câncer de mama é o mais incidente entre as mulheres, com um risco estimado de 65 casos novos por 100 mil. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, este tipo de câncer também é o mais frequente nas mulheres das regiões Sul (64/100.000), Centro-Oeste (38/100.000) e Nordeste (30/100.000). Na Região Norte é o segundo tumor mais incidente (17/100.000).

A Direção Regional de Saúde (DRS) de Ribeirão Preto registrou 281 novos casos de câncer, sendo 31 de mama no ano de 2010, segundo dados da Fundação Oncocentro de São Paulo (FOSP). É uma das principais causas de mortes entre as mulheres. Entretanto os pesquisadores alertam que a chance de cura para o câncer de mama pode chegar a mais de 95% se descoberta em estágios iniciais. A recomendação da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) é de iniciar o rastreamento a partir dos 40 anos com mamografia anual e visita a um profissional de saúde para exame clínico das mamas. “Em mulheres com história familiar de câncer de mama, pode-se iniciar o rastreio com 35 anos ou 10 anos antes da idade do diagnóstico da familiar de 1o grau. O auto-exame das mamas não é um método capaz de detectar precocemente o câncer quanto os outros métodos”, alerta Brito.

 

 

Rosemeire Soares Talamone, do Serviço de Comunicação Social da Coordenadoria do Campus de Ribeirão Preto

Link de acesso: http://www.usp.br/agen/?p=48516

Agência FAPESP – Um estudo realizado nos Estados Unidos, com participação brasileira, revelou como a informação epigenética – a parcela de 99% do genoma que não codifica proteínas – se propaga durante a divisão celular e como esse processo é subvertido no câncer.

A pesquisa foi publicada na revista PLoS Genetics. Um dos autores, o brasileiro Daniel Diniz de Carvalho, realiza pós-doutorado no Departamento de Urologia, Bioquímica e Biologia Molecular da Universidade do Sul da Califórnia.

Graduado em medicina veterinária pela Universidade de Brasília (UnB), Carvalho concluiu em 2009 seu doutorado, com Bolsa da FAPESP, no Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo (USP), na área de imunologia.

Sob a orientação de Gustavo Amarante-Mendes, do ICB-USP, seu trabalho de doutorado gerou resultados importantes, publicados recentemente na revista Oncogene, do grupo Nature.

O trabalho, a princípio, tinha o objetivo de compreender como os padrões de metilação do DNA se mantêm inalterados em células normais. A metilação é o principal mecanismo epigenético: um grupo metil é transferido para algumas bases de citosina do DNA. O processo é fundamental para “desligar” os genes que provocam alterações na transcrição genética.

“O novo mecanismo descrito no estudo explica como células somáticas normais conseguem manter um padrão fiel de metilação do DNA durante diversas divisões celulares. Isso sugere que, durante o processo de gênese do tumor, esse mecanismo é desregulado, permitindo que ocorra metilação em regiões onde não deveria ocorrer – o que pode explicar como os genes supressores de tumor são inibidos”, disse Carvalho à Agência FAPESP.

Todas as células de um organismo têm o mesmo DNA, mas cada uma delas é especializada para uma função específica. Isso ocorre porque as alterações epigenéticas garantem essa diferenciação. “No câncer, esse processo é subvertido. A metilação ocorre em locais errados, desligando genes que deveriam suprimir o tumor, permitindo assim que ele ocrorra”, explicou.

Mas com os modelos utilizados até agora não se sabia exatamente como a metilação é mantida, nas células saudáveis, em locais exatos do DNA durante as divisões celulares. “Nosso principal achado se refere exatamente a isso: como as metilações aberrantes não ocorrem na célula normal”, disse.

Duas enzimas são responsáveis por controlar o mecanismo de metilação: a DNMT3A e a DNMT3B. Ambas podem metilar o DNA em qualquer lugar. “Essas enzimas são perigosas, já que podem desencadear a metilação em lugares onde ela não devia ocorrer”, afirmou.

As duas enzimas só conseguem ser estáveis quando estão “ancoradas” no nucleossomo que contém DNA metilado. Isso permite um mecanismo homeostático que faz com que as enzimas só ocorram nessa região. “Descobrimos que, no tumor, uma dessas enzimas se desgarra do nucleossomo e fica livre no núcleo. Com isso, ela consegue metilar lugares do DNA que não deveriam ser metilados”, disse.

 

Mecanismos de controle

Os pesquisadores descobriram também que o desprendimento da enzima ocorre por causa de uma deleção da proteína: um trecho da enzima é perdido e permite que ela possa se estabilizar fora do nucleossomo.

“Mas o mais importante foi descrever o mecanismo de como, em situação saudável, ocorre a manutenção dos padrões normais de metilação do DNA. Com a divisão celular, esse padrão precisa ser transferido para a célula filha de forma fiel. Conseguimos descrever como esse mecanismo se mantém com tal fidelidade”, disse Carvalho.

As enzimas, segundo o cientista, precisam ficar ancoradas no nucleossomo. Esse mecanismo regulatório é o que permite a propagação fiel e impede que ocorram metilações aberrantes.

“Vamos tentar entender melhor como a célula tumoral consegue superar esse mecanismo. Chegamos às primeiras pistas: a deleção de deltaisoformas da enzima, que permite que ela se desprenda do nucleossosmo. Agora, queremos entender como o tumor consegue driblar esses mecanismos de controle que descrevemos”, afirmou.

O artigo Nucleosomes Containing Methylated DNA Stabilize DNA Methyltransferases 3A/3B and Ensure Faithful Epigenetic Inheritance (doi:10.1371/journal.pgen.1001286), de Daniel Diniz de Carvalho e outros, pode ser lido em www.plosgenetics.org.

 

 

Por Fábio de Castro - Agência FAPESP

Link de acesso: http://www.agencia.fapesp.br/materia/13482/enigma-epigenetico.htm

 

Publicidade