Um recente estudo desenvolvido na Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP trouxe revelações surpreendentes sobre o tabagismo passivo. Em experimentos com camundongos, a farmacêutica Larissa Helena Lobo Torres verificou que a exposição à fumaça do produto no período após o nascimento trouxe alterações no desenvolvimento do sistema nervoso central (SNC), além da diminuição da atividade locomotora na infância e na adolescência.

De acordo com a pesquisa, a fumaça do cigarro prejudicou a formação da bainha de mielina, que é a camada protetora dos neurônios, assim como a formação e o refinamento das sinapses, processo conhecido como sinaptogênese.

"Nossos resultados sugerem que, com a exposição à fumaça do cigarro, não há reversão dos efeitos observados no aprendizado e memória ou mesmo nos níveis das proteínas pré-sinápticas na adolescência e na fase adulta", afirma Larissa.

A pesquisadora ainda justificou a exposição à fumaça do cigarro durante as duas primeiras semanas dos roedores. Segundo Larissa, isso se deve ao fato de que a fase pós-natal é crítica para os processos de mielinização e sinaptogênese estudados durante as observações.

"Até o momento, esse é o único estudo experimental em roedores que associa dados bioquímicos e comportamentais ao avaliar os efeitos do fumo passivo no início do desenvolvimento do SNC e as possíveis consequências na adolescência e na fase adulta dos animais", destaca a farmacêutica.

Para realizar as observações, a pesquisadora explica que expôs os camundongos a uma mistura de fumaça central, tragada pelo fumante, e fumaça lateral, que sai pela ponta acesa, em uma câmara de polipropileno. O processo foi repetido duas vezes por dia, durante uma hora no período da manhã e uma hora à tarde. Além disso, Larissa revelou que foram feitos estudos comportamentais para avaliar os efeitos na aprendizagem e memória, na atividade locomotora e ansiedade.

"Os resultados condizem com outra pesquisa que demonstrou que crianças e adolescentes expostos ao fumo passivo apresentam deficiência de aprendizado evidenciado por um pior desempenho escolar. Em conjunto, esses resultados representam uma ferramenta que pode direcionar futuras pesquisas que visem a prevenção dos danos causados pelo fumo passivo", finaliza a farmacêutica.

 

Fonte: Agência USP

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