Você alguma vez já ouviu falar do shiatsu? Esta técnica terapêutica oriental, que utiliza o toque das mãos em determinadas áreas da pele para detectar pontos de dor provenientes de excesso de energia, tem sido motivo de pesquisa na Faculdade de Medicina da USP (FMUSP).
Capaz de desbloquear os fluxos de energia vital nos pontos de dor, o shiatsu tem se tornado uma terapia complementar eficaz para aliviar as dores da fibromialgia, uma doença que se caracteriza por dores crônicas em algumas regiões do corpo. Além disso, segundo o estudo, a técnica também tem proporcionado uma melhoria na qualidade de vida e do sono dos pacientes.
"Observou-se melhora estatisticamente significante, considerada também clinicamente importante, na maioria dos pacientes em quase todas as variáveis estudadas, exceto a ansiedade", afirma Susan Yuan, fisioterapeuta e autora do estudo com o shiatsu, que foi tema de sua dissertação de mestrado na FMUSP.
Para realizar a pesquisa, Susan dividiu 34 pacientes em dois grupos: o primeiro recebeu 16 sessões de shiatsu de 50 minutos cada, enquanto o outro, de controle, não recebeu a técnica. Por outro lado, este segundo recebeu uma cartilha com informações sobre a fibromialgia, além de dicas sobre um estilo de vida mais saudável e um programa de exercícios de alongamento e fortalecimento.
Após oito semanas de observações, verificou-se que 29% dos pacientes do grupo que recebeu a técnica diziam que a fibromialgia tinha grande impacto no cotidiano, número que era de 70% antes da aplicação do shiatsu. Enquanto isso, no grupo de controle, a variação foi bem menor, indo de 64% no início para 59% depois de oito semanas.
Apesar de ter mostrado resultados bastante positivos, o estudo de Susan não chegou a avaliar o impacto do shiatsu a longo e médio prazo, o que pode ser considerado uma limitação. No entanto, ainda assim, a pesquisadora defende o uso da técnica complementar em casos de fibromialgia. "Um paciente bem tratado e com seus sintomas bem controlados é uma pessoa que contribui ativamente na sociedade, em contraste com uma pessoa limitada pela dor, fadiga, fraqueza e depressão", completa.
Fonte: Agência USP