A aplicação de vacinas contra a dengue, aliada ao desenvolvimento de uma nova bactéria que contamina o mosquito transmissor (Aedes aegypti), pode ajudar a erradicar a doença no Brasil num período de cinco a dez anos. A previsão foi feita na última segunda-feira (24) por Jarbas Barbosa, secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde.

Presente no anúncio do novo método de controle do mosquito da dengue, realizado durante o 18º Congresso Internacional de Medicina Tropical e Malária, Barbosa falou sobre a utilização da bactéria Wolbachia. "Em um cenário otimista, se tudo der certo, talvez em cinco anos a gente tenha uma vacina antidengue. O teste da [bactéria] Wolbachia também levará cerca de cinco anos. Quando estas novas tecnologias estiverem comprovadamente disponíveis, a gente vai ter condições de dar um pulo. E talvez pensar não só no controle da dengue, mas em uma futura eliminação da doença como problema de saúde pública", afirmou.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), existe a estimativa de que ocorram, por ano, de 50 a 100 milhões de novos casos em todo o mundo. No Brasil, em 2010, o número de novos casos foi de aproximadamente um milhão, gerando aos cofres públicos um custo de R$ 800 milhões, de acordo com o secretário.

Recentemente, uma vacina testada mostrou-se efetiva contra três dos quatro subtipos da dengue, o que acabou inviabilizando o seu uso imediato para a população. "A vacina conseguiu proteger para três dos sorotipos da dengue, mas não protegeu contra o tipo 2. Ao mesmo tempo, começam no Brasil os primeiros ensaios clínicos da vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan, de São Paulo", completou Barbosa.

 

Estudos com a Wolbachia

O estudo que utiliza a bactéria Wolbachia no controle do mosquito Aedes aegypti começou em 2006, na Austrália, liderado pelo professor Scott O´Neill, que esteve presente no anúncio do novo método. Além de pesquisadores australianos, o trabalho conta ainda com pesquisadores de outros países, como Brasil, China, Vietnã e Indonésia.

De acordo com o cientista da Fundação Oswaldo Cruz, Luciano Moreira, os testes com a bactéria estão previstos para serem realizados no Brasil em 2014, trazendo uma perspectiva otimista para o controle da dengue. "A vantagem desse método é que ele é natural, pois a bactéria já ocorre na natureza. Além disso, é seguro e autossustentável, pois no momento em que a bactéria vai para a natureza ela se espalha e não precisa ficar colocando mais desses mosquitos", afirma Moreira.

 

Fonte: Agência Brasil

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